AMAZÔNIA COMO ESPAÇO FORMAÇÃO MULTICULTURAL - Parte 1


Orla da Cidade Marabá Pará, às margens do rio Tocantins


Faremos algumas considerações sobre a região Amazônica como um espaço[1] internacional, nacional e local, com a finalidade de melhor situarmos geograficamente os poetas escolhidos para esse trabalho dentro do que se entende por Amazônia. Justificamos a necessidade desse esclarecimento por alguns motivos: o primeiro justifica-se pela imensidão que é a Amazônia, fato que lhe propicia a formação de múltiplos espaços geográficos onde se constroem diversas expressões culturais e literárias. O segundo, porque entendemos como fala Esteván Mezáros (MEZÁROS, 2012, p.35), que um escritor cria a sua obra a partir da matéria-prima de experiência que lhe é oferecida pela contingência de sua situação. O terceiro motivo é porque entendemos que a Amazônia está ainda por ser descoberta, muito embora creiamos se tratar de um espaço geográfico bastante visível aos olhos do mundo, desde quando aqui se aventurou o navegante europeu, a imagem simbólica que se tem dessa região é uma invenção (GONDIM, 2007) feita nos discursos que se produziram a seu respeito. Por fim, é na situação de homem da Amazônia oriental brasileira, da região sudeste do Pará, que os escritores escolhidos, Ademir Braz e Charles Trocate, produzem suas obras poéticas.
Enquanto território geográfico internacional, a Amazônia constitui-se em um imenso espaço físico de 6,5 milhões de quilômetros quadrados, sendo o maior bioma do mundo, estende-se por nove países: Brasil, França (Guiana Francesa), Suriname, Guiana, Venezuela, Colômbia, Equador, Peru e Bolívia.
O espaço nacional da Amazônia brasileira se expande além da floresta, formando a Amazônia Legal, que inclui também suas áreas de influências se expandindo para o estado do Maranhão no Nordeste e ao estado do Mato Grosso na região Centro-oeste. Esse espaço equivale a 49,29% do território nacional[2], numa área de 4.196.943 quilômetros quadrados. Esses espaços geográficos são representados no mapa 1, abaixo.
Mapa 1 – Representação da Amazônia Internacional e Nacional

Fonte: https://br.pinterest.com,  pesquisado em 13/07/2017, às 00:27 horas.

A professora Bertha Becker (2009) analisa a Amazônia do ponto de vista da sociopolítica e destaca o esforço dos países amazônicos para o fortalecimento de uma Amazônia Transnacional, o que segundo essa autora ajudará no desenvolvimento da região. Ela diz que esse esforço está explícito no IIRSA (2002)[3] e implícito no Tratado de Cooperação Amazônica (TCA) como Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA) para os países amazônicos, (BECKER, 2009, p.53-54). Ela aborda a Amazônia brasileira dividando-a em três macrorregiões assim designadas: A Macrorregião de Povoamento Consolidado, A Amazônia Central e a Amazônia Ocidental. Cada uma dessas macrorregiões possui várias sub-regiões, cujos critérios definidores fogem ao nosso objetivo explicitá-los.  Importa-nos saber, que é dentro da Macrorregião de Povoamento Consolidado que se encontra o sudeste do Pará. Conforme ela explica, essa macrorregião envolve “grandes extensões de cerrado do Mato Grosso, Tocantins e Maranhão, e as áreas desmatadas do Sudeste do Pará e Sul do Acre” (BECKER, 2009, P.146). Em Becker (2013), ela destaca outra forma de divisão da Amazônia que seria a Amazônia Ocidental como sendo uma grande área sob influência de Manaus e a Amazônia Oriental, sob domínio de Belém, cuja “área de influência vem se confinando ao longo da Belém-Brasília pelo avanço em importância da Brasília-Goiânia, encontrando-se os dois eixos em torno de Marabá” (BECKER, 2013, p.47).
O nosso local geográfico, portanto, situa-se na Amazônia oriental brasileira, na Macrorregião de Povoamento Consolidado, em áreas desmatadas do sudeste do Pará. Um espaço onde ocorre um constante processo de justaposição[4] de culturas, possibilitando o hibridismo cultural[5]. Assim, a região sudeste do Pará é um lugar dentro do espaço amazônico onde a intervenção do homem na natureza como veremos mais adiante, “dita” o rumo da vida e da contingência de seus sujeitos. É sobre a construção em diversos momentos históricos desse espaço de formação discursiva que falaremos no próximo tópico.




[1] Espaço aqui no sentido apresentado pelo geografo Milton Santos apud Bella Jozef et al (ABRALIC,2005, p.119) como sendo o ambiente vivido pelos seres humanos de forma coletiva, composto por focos e fluxos.
[2] Fonte: www.ibge.gov.br, pesquisado em 13/07/2017, às 01:53 horas.
[3] Iniciativa para instrução da infra-estrutura regional da América do Sul. Secretaria de Planejamento e Investimentos Estratégicos, MPOG apud (BECKER, 2009, p. 167)
[4] Esse conceito é introduzido por BHABHA (2013), trataremos dele mais adiante.
[5] Ibdem Bhabha (2013)
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